Os sete loucos – Roberto Arlt

Erdosain, cientista frustrado, julga ter encontrado a pedra filosofal da era moderna: a Rosa de Cobre, fabricada por intermédio de um processo alquímico de galvanização das flores naturais. Acusado de ter roubado dinheiro do seu local de trabalho, é chamado a repô-lo sob pena de ir para a prisão. É num estado de espírito alienado e indiferente que Erdosain percorre as ruas à procura de quem lhe empreste o dinheiro de que necessita. Entre personagens marginais do sub-mundo de Buenos Aires, surge a proposta delirante e subversiva: a criação de uma Sociedade Secreta que visa estabelecer uma nova ordem social, autoritária, humilhante e perversa…

Roberto Arlt é um dos percursores da moderna narrativa argentina. O ambienta das ruas, que o escritor tão bem conhecia, foi inspiração para alguns dos seus melhores textos. Da sua amizade com rufias, falsificadores e pistoleiros saem personagens como as deste livro, considerado a obra-prima deste autor.

Ideias chave:
– opressão; impotência; Loucura; violência; boémia; instabilidade; insanidade; irrealismo.

Motivos de Interesse:
– Roberto Arlt influenciou de forma profunda a escrita de Cortázar, Onetti e Piglia, assumidamente seus fãs.
– Obra de carácter autobiográfico já que Arlt era também ele cientista, procurando obter por essa via fama e fortuna. Inventou e patenteou “meias de borracha que nunca desfiavam”.
– estilo de narrativa considerado quase unanimemente “deslocado” ou “inclassificável”, associado ao vanguardismo da literatura Argentina.
– Roberto Arlt é considerado, a par de Borges, o maior narrador Argentino de todos os tempos.

Curiosidades:
“o indigno”, conto de Borges, é uma homenagem a Arlt.

A favor:
– quase nada, se bem que estas edições da cavalo de ferro dão sempre alguma pinta às prateleiras.

Contra:
– quase tudo. Um enredo inenarrável, desconexo e sem sentido, cheio de personagens alucinadas e com pouco apego à realidade. É preciso um grande esforço e uma grande força de vontade para manter a leitura a fluir, para encaixar a erudição descritiva, e para não abandonar o livro.

“em que circunstância da sua vida estivera nessa sala que agora se apresentava à sua imaginação ? Não conseguia recordá-lo. Via, porém, um grande marco de ébano cujos biseis paralelos trepavam em direcção de um céu raso branquíssimo, que projectava a sua luz de gesso sobre uma marina: uma certa ponte de madeira sinistra, sob cujos contrafortes ciclópicos fervia uma multidão de homens de contornos indefinidos, manchados por sombras avermelhadas e que transportavam grandes volumes diante de um mar vítreo de ferro fundido, sanguilento, do qual se erguia , em ângulo recto, um molhe de pedra obstaculizado por fráguas, carris e guindastes…”

Notando já neste ponto que esta seria uma das mais amigáveis (no sentido reader friendly) descrições que encontraria, deveria ter sido aqui, a páginas 28-29 (o livro tem 256), que devia ter deixado este livro.

Resumidamente:
Passar o lado, a não ser que tenha algum interesse específico por literatura argentina ou que tenha tempo de sobra para discutir o absolutamente discutível.

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