estórias

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Quando as coisas se tornam complicadas ou complexas, quando de alguma forma não nos correm de feição, “escrevemos” as nossas estórias, a nossa realidade, de uma forma defensiva, no sentido de evitar o embaraço, a perda e no sentido de potenciar e maximizar os nossos ganhos perante uma situação de eventual conflito. Temos também e sempre a tendência de tentar suprimir sentimentos negativos em relação a nós, à nossa responsabilidade e de projectar a culpa nos outros. As estórias que contamos são máscaras da verdade e acreditamos piamente nelas. Elas encaixam sempre no nosso contexto e mais importante, mantêm-nos cativos nessa nossa realidade.

Mas nenhuma estória detém o monopólio da verdade. Existem outras estórias, escritas e narradas  de outros autores,  que por certo também encaixam nos dados e que serão também verdades inquestionáveis para os seus autores.  De facto, as pessoas respondem aos acontecimentos de acordo com o seu próprio contexto. Fazem interpretações pessoais de situações, acontecimentos, expressões, comportamentos, linguagem, enfim de uma vasta colecção de dados e de circunstâncias. Todas as estórias são portanto coerentes para o seu autor, mesmo sabendo-se de antemão que o que esse autor traz para uma discussão é apenas a sua estória, elaborada de uma forma que está longe de ser inocente.

Mas todas as estórias podem ser reescritas, sempre que haja espaço para alguma reflexão e acima de tudo propensão.

A solução nem é assim tão difícil. Para mudar os comportamentos, atitudes, enfim estórias, das pessoas que nos rodeiam, tudo o que necessitamos é de mudar o contexto em que a sua estória se gera ou o contexto em que as pessoas actuam.  Tudo começa com um pequeno gesto, uma simples tentativa no sentido de ouvir e tentar entender essas estórias e o contexto em que foram escritas, mesmo que tudo no mundo nos indique que somos nós os  donos absolutos da razão.

 fb/2013/01

2 Comments Add yours

  1. Di diz:

    Faz-me lembrar uma estória minha… que não vou contar aqui, mas andei durante muito tempo convencida de que era dona absoluta da razão e estava errada, como geralmente acontece a quem se acha dono absoluto da razão…

    1. fb diz:

      Como dizia no meu texto, as nossas estórias encaixam no nosso contexto e na nossa realidade. A solução está pois na nossa predisposição para conhecer os demais contextos em que as estórias foram construídas.

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