a questão finkler

Alguns judeus sentem-se desconfortáveis com a ideia de o seu judaísmo os ligar directamente a todos os judeus, independentemente da sua cor, credo ou carácter. Para eles, Israel, um país barulhento, quente, excitado, criativo, judeu, capaz de irritar qualquer país do mundo, é o alvo ideal do seu desconforto. Nos anos mais recentes, muitos judeus britânicos, críticos das acções de Israel contra a os Palestinos têm-se vindo a afirmar como um colectivo crítico perante estas acções, demarcando-se delas publicamente. Ou seja, grupos de judeus que se agrupam para exigir a sua recusa em ser agrupados debaixo de um mesmo grupo – “conceito” ou “bandeira” política ou religiosa.
Howard Jacobson é judeu e é considerado um escritor particularmente atento e humoroso. Dado o inerente absurdo desta situação, não poderia deixar de pegar no tema. Aliás, toda a sua obra enquanto escritor e jornalista tem um tema central, o judaísmo.
A novela gira em torno de uma personagem central, Julian Treslove, a sua fixação com o Judaísmo e o seu desejo de ser Judeu. Apesar de não ser um homem de religião Julian Treslove sempre viveu “atormentado” pela inteligência e moralidade aparentemente superiores de duas outras personagens com quem se relaciona desde sempre, Sam Finkler (colega de estudos) e Libor Sevcik (antigo professor) , ambos Judeus e ambos casos de sucesso pessoal e profissional. No entanto, Julian, gentio, é um personagem medíocre, sem essência.
A pedra de toque da novela é o momento em que Julian é atacado na rua, um ataque supostamente anti-semita e motivado pelo anti-semitismo. Supostamente. A partir deste momento há muita reflexão, muito existencialismo, muito humor, alguma filosofia, muitos enganos e desenganos. Há também muita sátira, explícita e implícita. Aliás toda a novela é satírica e provida de uma crítica corrosiva, inteligente e humorada. Há muitos trocadilhos a que poderíamos chamar “piadinhas curtas de descompressão” para aligeirar um pouco um tema que por inerência é demasiado sério.
Se bem que numa primeira fase o livro promete (principalmente para quem aprecia o humor britânico e tiver a oportunidade de ler o livro na versão original), a meio começa a tornar-se parado, empastelado e repetitivo. Há algumas passagens que são exaustivas e que pela repetição se tornam inclusive, a meu ver claro, de um racismo obsessivo e benevolente. Posto isto, o livro passa a parecer demasiado grande.
Esta novela é uma reflexão sobre o judaísmo actual, muito focado no Reino Unido e na sua comunidade judaica. Apreendemos o judaísmo na forma de quem o vive por dentro, embora apresentado de forma suficientemente acessível para ser consumido por quem está de fora.
fb/2011/setembro

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