A maior invenção do homem

Pergunta- se muitas vezes qual a maior invenção do homem. Em resposta, apontam-se grandes descobertas e grandes conquistas que tornaram a nossa vida indubitavelmente melhor, qualitativa e quantitativamente. Mas como em muitas outras coisas, alvitramos as maiores complexidades e esquecemo-nos da base, do simples, do garantido e do assumido. A meu ver, a maior invenção do homem é essa coisa tremendamente “simples”, a escrita. Essa que regista o avanço do homem, do seu conhecimento e que o permite passar às gerações futuras. Que o discutem e aprimoram.

A escrita não é apenas um dos pilares da civilização, ela permite a acumulação, o armazemamento, permanente e ordenado de conhecimento e de todas as conquistas intelectuais humanas. Através da captação e do registo de ideias numa forma física, simples e acessível, a escrita permite que o conhecimento não só se acumule como se propague, através do tempo e do espaço, evitando os perigos da memória humana e da distorsão verbal, fugindo à segregação das tiranias, políticas e religiosas, e das mais diversas vicissitudes da história. Queiram apagar um povo da memória da civilização, destrua-se tudo o que escrito lhe é relativo.

As origens da escrita são prosaicas. Foi inventada por contabilistas (não por poetas) no quarto milénio antes de cristo como uma forma de complementar os sistemas de contagem que se utilizavam nas sociedades antigas para manter os registos de bens agrícolas. As primeiras representaçoes foram efectuadas na forma de simbolos, como carimbos, mas rapidamente evoluíram por via da utilização de estiletes sobre placas de gesso.

À medida que as aldeias crescem e se tornam cidades, a escrita passa a ser necessária não apenas como uma forma de registo e inventariação mas também como um instrumento de gestão administrativa. Rapidamente se tornou mais expressiva e representativa passando a capturar também as subtilezas do pensamento e da razão humanas. Este refinamento permite que esta nova forma de ordenação de ideias, a escrita, passe a ser utilizada por poetas e filósofos como forma de situar o seu pensamento em relação aos dos seus antecessores, como forma de argumentar a favor e contra e como forma de elucubração sobre determinadas correntes de pensamento vigentes. Cada geração passa a ser capaz de construir ou desenvolver novas ideias sobre as ideias e conceitos já estudados, debatidos e sobre conhecimentos adquiridos. E assim foi possível progredir no pensamento, na filosofia, no comércio, na ciência e na literatura. Até hoje. Já todos percebemos que a literacia é sinónimo de poder. Um poder que agora se estende e que está acessível a quase toda a humanidade.

De facto a escrita já fez mais pelo progresso humano do que qualquer outra invenção.

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