uma (re)descoberta

Uma gripe ou constipação trazem também algumas coisas boas. Se não num estado de torpor febril, acordamos um pouco mais tarde, ficamos um pouco no choco na cama, ligamos a tv e descobrimos que esta vive muito antes das 21:30. Tomamos um pequeno almoço tranquilo, sem a pressão do tempo, sem correrias e carregado de mimos, quilos de açúcar que nos reforcem as defesas contra os malditos bichos, vírus ou bactérias, ainda que nunca se tenha observado qualquer relação benéfica de uma overdose de calorias no combate à gripe. Descobrimos uns papeis há tempos por arrumar e que assim ficam, recebemos umas chamadas que evitamos, uns e-mails a que não respondemos, tudo isto mantendo a nossa integridade visto que, bolas, estamos doentes ! Descobrimos novos recantos numa casa que é nossa há muitos anos mas que por força da brevidade das acções e da urgência da vida nunca chegamos a explorar por completo. Como a secretária do meu filho mais novo onde agora me sento para escrever este texto e que apesar de aqui estar há mais de 2 anos nunca tinha conhecido os cadernos e os computadores do pai. Vamos descobrindo também outras coisas, objectos, que durante anos foram olhados mas que agora, diante de nós, vemos. E as suas histórias, como todos eles têm algo para contar.
A gripe piora e é tempo de novo chá e nova dose de calorias, que as defesas parecem precisar de mais energia. Entretanto, para acompanhar o pão-de-ló, pega-se no ipod e lá se descobre uma playlist que já nem sabíamos existir, que rapidamente pomos a tocar, mas que mais rapidamente ainda paramos. Porque quando ecoam as primeiras notas, os primeiros riffs, apercebemo-nos da mais valiosa de todas as descobertas, O silêncio. Esse que julgamos não ser possível existir neste local, esse de que já nem sequer nos lembráva-mos. Esse que nos permitiu afinal todas estas novas descobertas. Esses poucos minutos que tantas vezes procuramos, que muitas vezes já nem sabemos que precisamos. É este silêncio que finalmente me fascina. Esta tranquilidade e este abandono que de raro é tão precioso. E tornando-o ainda mais valioso o saber que, felizmente, não é eterno.

fb/2012/09/10

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