pessoas extraordinárias

Um dos pedidos do meu filho neste natal foi um “falgor”, um carrito da série scan2go. O miúdo é modesto e bastante contido a pedir pelo que quando pede alguma coisa, procuramos satisfazê-lo. E assim, durante todo o mês de Dezembro andei à caça do bicho. Corri diversas lojas, calcorreei centros comerciais, hipermercados e nada. Esgotado, esgotado, sempre esgotado. Aparentemente a fábrica não estaria à espera de tantas solicitações para este determinado modelo e a produção acabou por satisfazer apenas 5% da procura.
Uma das vantagens de trabalhar numa multinacional é a possibilidade de nos podermos socorrer além fronteiras para este tipo de empreitadas. Localizado um distribuidor em Barcelona, foi o que fiz. Enviei um e-mail a um colega e em poucas linhas expunha a situação e fazia o pedido. Foi no dia 19 que o enviei e confesso que o fiz sem grande convicção. Entretanto providenciamos uma alternativa, um “wolver”. Não é bem a mesma coisa (?) mas… teve que ser.  Prendas entregues,  natal passado e resposta sem chegar. Foi já no dia 29, pelas 8 da manhã que recebi uma chamada no tm cujo início retive e que aqui transcrevo:
– Fernando ! Hola ! Habla xxxxxxx. Ya tenemos el coche ! Lo tenian en Barcelona ! Te lo remito hoy mismo por correo y mañana ya lo tienes. Que tal estás ?…
Esta chamada, que repito, tão cedo não esquecerei, continha emoção, entusiasmo, felicidade, realização, pertença. E atente-se na forma como a informação foi prioritizada. Tal foi a efusão da chamada que me veio imediatamente ao pensamento uma qualquer missão especial de resgate para libertar um irmão de armas, um amigo de longa data retido em cativeiro.  “Ya lo tenemos, repito, ya lo tenemos con nosotros !” ou um possivelmente mais americanizado “We´ve got him, I repeat, we´ve got him, he´s already with us, over and out” assomaram à minha memória.
Não tive coragem de referir o que antes no e-mail me esquecera de mencionar.  Em Portugal entregamos as prendas a 25, não no dia de reis. Não perante tanto entusiasmo. Tampouco tive coragem de referir, mais tarde ao receber o carro, que era um falgor que tinha pedido, não um wolver (outro). Apenas agradeci  e outra vez agradeci, tendo recebido como resposta um “ainda bem que o conseguimos antes dos reis”.
Pergunto-me o que terá provocado tamanho empenho, mais ainda quando mais tarde percebi que houve mais 3 pessoas envolvidas no processo para além de um mensageiro. Não é que sejamos amigos, não é que sejamos  chegados. Será o seu moto o espírito da época ? Será “apenas” a felicidade de uma criança ? Ou será porque há pessoas extraordinárias ?

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