O corolário Peter-Parkinson

Nenhum cretino está disposto a admitir de ânimo leve que é um cretino, ainda menos quando ocupa uma posição de responsabilidade. Por isso, quando um incapaz alcança o topo da hierarquia depara-se com o problema de mascarar ou compensar a sua insuficiência. O método adoptado tem todo o ar de ser uma espécie e ardil evolutivo, por meio do qual as organizações sociais garantem a si próprias a continuidade do seu processo de crescimento tanto em termos de dimensão como de imbecilidade. Foi Lord Parkinson a descobrir o princípio multiplicador que reza o seguinte: “O incompetente tende a esconder a sua incompetência por meio do aumento das competências”. Esta espécie de trava-linguas descreve um comportamento observável em todas as actividades humanas. Quem não é capaz de fazer uma coisa procurará fazer muitas. Quem não consegue levar a cabo com sucesso as tarefas que lhe competem, procurará outras, adicionais e não de substituição. Desse modo poderá justificar-se com o habitual:  “Se sou eu que tenho que fazer tudo, não posso fazer tudo bem. Já é muito conseguir…”

Deve dizer-se que esta maneira de agir não é necessariamente consciente. O incapaz que se comporta assim pode até mesmo fazê-lo de boa fé. Vê que as coisas não avançam como gostaria e ocupa-se, esforça-se, consagra-se ao trabalho mais intensamente que antes. Mas trata-se de um esforço catastrófico porque se obtém assim o resultado mais importante e não pretendido: a multiplicação da estupidez.

Hoje, no topo das organizações humanas encontram-se pessoas que acumulam uma quantidade de incumbências impressionante. Por vezes estas incumbências são tarefas fictícias, sem influência sobre o funcionamento da organização e que se multiplicam por clonagem, tendo por único fim tornar mais impenetrável a cortina que esconde o incompetente.

O conjunto do mecanismo torna-se claro quando se conjugam o princípio de Peter e a lei de Parkinson:

Numa hierarquia, todo o indivíduo tende a ascender até se revelar incapaz do desempenho da tarefa que lhe foi atribuída; a partir desse momento, começa a multiplicar as suas incumbências, de modo a esconder a sua incompetência.

Já visto e demonstrado inúmeras vezes !

adaptado de “O Elogio do Imbecil”

de Pino Aprile

fb/2010/agosto

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