A breve e assombrosa vida de Oscar Wao

As férias ou mais concretamente a ausência de rede móvel tem destas coisas. Durante uns dias deixamos de consumir bytes, bitaites e soundbytes para nos dedicarmos a coisas um bocadinho mais estruturadas, os livros. E às tantas damos por nós a pensar que se o espírito efectivamente se alimenta, é disto.

Este livro é um tanto ou quanto estranho. Em dois aspectos. Primeiro no sentido em que encerra uma panóplia de referências a um mundo, o de hoje, que se traduz desconhecido para muitos.  Eu não sou propriamente distraído e tive uma certa dificuldade em “acompanhar” as referências aos personagens, actos e citações de  “Dungeons & Dragons“, “Star Wars”  , “Fantastic Four“, etc. Estas não são bojardas gratuitas do autor, são bojardas que reforçam ideias ou sentimentos.  À falta de melhor, ficamos a saber que também este tipo de lixo plástico pode ser recuperado ou reciclado com mestria para elaborar uma boa obra. E que Lord Vader é um personagem politicamente referenciável. Segundo, de Oscar Wao não se fala muito de facto. Há uma maior preocupação em descrever o seu FUKU familiar. A sua tragédia intergeracional, de que Oscar finalmente não escapa. E assim, não posso deixar de estabelecer um paralelismo com “Meio-Irmão”. Também aqui são 4 gerações, também aqui há uma tragicomédia que se aceita como pré-estabelecida, também este livro demorou mais de 10 anos a escrever. Mas percebo que “Meio-Irmão” tenha demorado 10 anos… Aqui, a escrita alterna a velocidade e a genialidade. Há capítulos que se percebem escritos com sofreguidão.  E assim são lidos. Outros nem tanto.

Não me vi impressionado pelo tão aclamado hiper-realismo da escrita, a tradução da condição do macho latino-americano, a linguagem sexual (muito branda) de Junot Diaz. Nesse aspecto, para quem já leu tudo de Pedro Juan Gutierrez  este livro é um conto infantil.

Finalmente, existe um permanente e destacado ódio a Trujillo que Junot Diaz, bem ou mal, faz questão de não amansar. É latente.

Enfim, aparentemente é um bom livro mas não me deslumbrei, longe disso. No final retenho apenas a “breve e assombrosa avidez com que consumi 300 páginas”.

fb/2010/abril/19

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