da perpetuação da incompetência

Meu caro amigo,

Pois tens toda a razão. Colocada a questão numa perspectiva de agenda pessoal, ao chefe incapaz não interessa apenas uma equipa de competentes que o façam brilhar. Interessa-lhe  também manter uns quantos incompetentes na equipa, através dos quais se possa imacular,  apontando-lhes o dedo quando as coisas lhe correm mal.  Poderia não ser assim se os gestores, os competentes e os profissionais digo, tivessem omnipresente a perspectiva de Jean Moliére: “Não somos apenas responsáveis pelo que fazemos mas também pelo que não fazemos”. Ou seja, identificado um reiterado e provado incompetente, deveria o seu responsável directo promover a sua reconversão a cargo ou função que lhe fosse mais adequada, se a houvesse. Ou apontar-lhe o caminho da rua, a bem dos resultados da equipa e da organização. O problema meu caro é que, historicamente, em quase todas as organizações sociais que conheço a inacção nunca foi penalizada.  Mesmo quando a inacção apresenta resultados tangivelmente calamitosos.  Ora, por corolário, isto faz da inacção uma estratégia acertada de perpetuação de poder e infelizmente para todos nós,  de perpetuação da incompetência.

fb/2010/dezembro/17