das hierarquias

A estrutura hierárquica comum elimina a necessidade de distinguir os seres humanos com base nas suas qualidades, competências e valor(es). Os talentos e contribuições individuais encontram-se ausentes ou para aí caminharão tendencialmente porque a estrutura hierárquica os tornou inúteis, consagrando assim o fim da vantagem constituída pela inteligência. Nas hierarquias de poder, por convenção, o chefe é o chefe apenas e só porque ocupa a posição e quem ocupa um posto inferior é inferior.

Neste tipo de organizações, é tradicionalmente a imbecilidade que perdura no poder porquanto trabalha em seu próprio benefício, tendendo a imprimir a sua própria imagem na organização que chefia, multiplicando a estupidez, da qual extrai a sua razão de ser. Inevitavelmente, a meritocracia segue um de dois percursos. Anula-se ou procurará satisfazer-se numa outra organização, abandonando a actual. Nestas organizações, tradicionalmente burocracias, a imbecilidade está no poder e o poder não precisa de génio, aliás, o exercício do poder pelo poder resulta muitas das vezes da imbecilidade dos indivíduos. Ocupa-se apenas de sufocar a inteligência, que não só se torna desnecessária em qualquer forma como constitui ela própria um factor adverso, de instabilidade e por conseguinte, uma ameaça.

Por oposição, numa hierarquia de valores nada é certo. O que conta é apenas o livre reconhecimento mútuo do valor de cada um. Nela emergem líderes, nunca chefes. No entanto, a adopção deste tipo de organização comporta elevados niveis de introspecção (e capacidade para tal), de altruísmo pessoal e colectivo bem como da incorporação intelectual de um omnipresente “bem maior” e de uma escala maior de benefícios de que a sua aplicação resultaria para os indivíduos e para a sociedade. E finalmente de uma atitude de abnegação que sinceramente encontro impensável e impossível na nossa sociedade actual. Mais ainda quando características bem vincadas do nosso povo são o egoísmo e a inveja. Talvez quando começarmos a pensar em ser o mais pobre dos nossos amigos em vez de pensarmos como actualmente pensamos que queremos ser o mais rico (desejando não apenas a nossa fortuna como a desgraça dos demais). Talvez, mas não creio.

fb/2010/dezembro/19

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s