da mediocridade

Meu amigo, se quiseres conservar a saúde e a tranquilidade dos nervos, se quiseres tomar, cada dia, com sossego, o teu cafezinho e passar por homem de bem, guia-te pelas normas seguintes:

Antes de pensar, informa-te sempre o que deve ser pensado, a fim de não introduzir no mundo o contrabando de ideias novas; Não penses nunca por ti mas sempre pelos outros; Diz sempre sim quando os outros dizem sim e não quando os outros dizem não; Lê cada manhã, ao café, o teu jornal, para saberes o que deve ser pensado durante o dia; Quando alguém se aproximar com ideias novas, evita-o como um perigo social e tem-no em conta de herege, afasta-te; Não te exponhas ao perigo de fazer o que o vizinho não faz; Sê amigo dedicado da tua tépida poltrona e não te exponhas a vertigens de vastos horizontes; Prefere sempre as paredes maciças de um cárcere e as grades de uma gaiola às incertezas de um voo, pequeno que seja; Nunca abras portas fechadas, abre tão somente portas abertas; Não explores caminhos novos, anda sempre por estradas batidas e sobre trilhos previamente alinhados; Vai sempre com o grosso do rebanho, como os bons carneiros e não procures caminho à margem da rotina geral.

Em suma, meu insigne cultor da mediocridade: Deixa tudo como está para ver como fica.

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  1. Pedro Garrido diz:

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