também aqui compadecemos

Fanático intolerante, insensível à diferença, hostil, com distorções de pensamento que alimentam atitudes magalómanas e de perseguição, fantasista, irrealista. Estes são os epítetos da moda, mas há outros. Numa categoria suficientemente aglutinadora, podemos designá-los de alienados. Regra geral, estes individuos parecem pessoas perfeitamente normais, integradas na sociedade, trabalham, são cidadãos discretos e até exemplares e virtuosos. mantêm um pensamento sistematizado e lógico a não ser que seja desafiado o seu núcleo paranóide. Momento em que passam a alienados (?). Para sempre (!?!?) Este é o perfil do mais recente louco, ou assim será apresentado à justiça pela sua defesa. A estratégia é clara e lógica: o apelo ao assistencialismo moral em que vivemos há décadas, desta vez pelo braço da justiça. Senão reparem, verifiquem, quantos criminosos recebem um tratamento em vez de uma pena ou punição. Se são doentes, não têm culpa. Se são malucos são inimputáveis. Se são estúpidos ou idiotas têm atenuantes. Se são pura e simplesmente burros e incapazes, são perdoados. Os tradicional e habitualmente penalizados são os inteligentes. Esses não têm desculpa, não têm atenuantes, não têm perdão. Também aqui, através do nosso sistema de justiça, a sociedade promove a imbecilidade e a estupidez, penalizando em maior medida os mais capazes ou por oposição, compadecendo-se apenas e só com os energúmenos, despenalizando-os. Os inteligentes, os úteis e reintegráveis, são exemplarmente punidos de forma a que apodreçam nas celas. Não lhes damos mais oportunidades. Os loucos, pelo contrário, recebem tratamentos e cuidados sempre na perspectiva da reintegração. Por comparação actuamos no sentido de suprimir à sociedade elementos capazes, sãos, devolvendo-lhe os insanos e os loucos. Resulta pois evidente que também aqui, por via do sistema de justiça, subversivo como se vê, a sociedade actual, a nossa, faz de tudo por aniquilar a inteligência e a criatividade convivendo pacífica e a meu ver, nestes casos, amoralmente, com a pior mediocridade.

Pergunto-me, e não descubro resposta, se os loucos estão perdidos para a justiça e para a punição, não deveriam estar também perdidos para a sociedade ?

“…estou absolutamente consciente de que os media me irão rotular como um louco. É a estratégia corrente de combate à dissidência política. Sei que farão o que estiver ao seu alcance para retratar pessoas como eu como malucos delirantes…” (excerto de “2083 – european declaration of independence” de anders breivik)

Não sei em que planeta alucinado vive este louco, mas caramba, parece-se tanto com o meu…

fb/2011/agosto/21

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