o chinelo

O chinelo e a chinela profissionalizaram-se. Deixaram de ser simples alpercatas peludinhas e forradas de trazer por casa. Emanciparam-se e saíram à rua. Definitivamente !  É ponto assente que representam já, de forma indistinta, o nosso querido mês de Agosto. Mudemos as quinas pelo chinelo. Não há local ou lugar onde não os vejamos. Aprecio particularmente aqueles já gastadotes, com aquela marca carregada no calcanhar de quem já chinelou por muitos e bons quilómetros. Aquele sim, é um chinelo distinto. Aquela meia lua calcanhar que marca a afeição do dono pelo objecto.  Há ali grande afeição, é indiscutível.

O chinelo e a chinela trouxeram uma alegria nunca antes vista a este povo luso. Já não nos podemos  queixar do nosso fado, menos quando o comparamos com o nuestro muy poco hermano flamenco. Agora temos o nosso chinelar, quais castanholas, verdadeira manifestação musical extemporânea e contemporânea da musicalidade portuguesa. É vê-los pela rua, pelos shoppings, famílias inteiras de percursores a chinelar à desgarrada. A sonoridade é tremenda. E a versatilidade não lhe fica atrás. Há chineleiros e chineleiras para todos os gostos. Para os que gostam do seu momento lounge, chinelar com areia nos pés numa esplanada perto da praia assume uma sonoridade particularmente cool e relaxante. Para os adeptos do desporto, chinelar na “Cervejaria Gaivota” com aroma a percebes ou navalheiras mesmo comendo tremoços, enquanto o Benfica mete uns golitos no plasma, é emoção pura. E depois há os tins e as tinas para quem chinelar  ao ritmo da batida num qualquer bar da moda, montados nas suas levi’s é hiper “tá-se”. E também os tios e tias que sempre procuram e aparecem com algo distintivo naquelas festas super-hyper-in ou naqueles eventos institucionais já foram imbuídos do espírito chinelo encomendando-os amiúde via http://www.chinelospersonalizados.com/

O chinelo é afinal o verdadeiro símbolo da democracia conquistada em Abril e o expoente máximo da liberdade de expressão. Veio para ficar e substituir a meia branca e o sapato de couro, esse objecto abjecto amordaçante e opressor da nossa expressividade plástica.

É caso pois para dizer “Chinelarei, até que o calcanhar me doa”…

P.S. –  Desilude-me a cada vez maior orientação comercial das pesquisas no Google. A minha pesquisa de “havaianas” deu pelo menos as 10 primeiras páginas (já não vi a 11ª)  de fotografias de solas de borracha coloridas.  Aparentemente, as havaianas, as que realmente importam, extinguiram-se da face da terra.

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