gordo

Entrou e sentou-se. Virado para a janela. Era grande, muito grande. Pensando agora nisso, virado  para a janela era também voltado de costas para o resto da sala, para todos nós. Vergonha, uma defesa talvez. Era de tal forma grande que as costas se perdiam nas costas. As da cadeira nas dele. Era um gordo reluzente, cheio e reluzente. Limpo, cheio e reluzente. Sem pregas, como um balão, liso. O que mais me impressionou foram as mãos. Impecavelmente sopradas, como luva de cirurgião. E os dedos. Incrivelmente grandes, espessos. Cilíndricos. Esticados, reluzentes,  parecendo borrachosos invertebrados. Não os mexia. Ou se o fazia não percebi. Sempre, em qualquer movimento, a mão aparecia esticada. Um naco de carne cristado de rolhas. Cheia, inflamada, esticada. Toda ela tunida, como ele. Inchado. Comichoso. Ofegante. Transpirante.  Ao primeiro corte esvai-se, ao primeiro espeto esvazia-se. Pensei. Não sei como suportava aquele peso. Fisicamente falando. Nem sei sequer como conseguiu ali chegar. Podia ter-me ficado apenas por um dedo. Mas quando verifiquei que dele não saía água, ar ou qualquer tipo de pasta, tive que continuar a aprofundar a descoberta.

fb/2011/julho/29

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