atados

“Ninguém faz nada”, “não há quem faça nada”, “deveria haver alguém que”. “Eles” isto, “eles” aquilo… Nestas ubíquas expressões populares, “Ninguém” ou “Alguém” são invariavelmente terceiras pessoas, com a cada vez mais utópica responsabilidade de nos resolver os problemas. São portanto seres cada vez mais míticos e certamente já endeusados. O sebastianismo português conjugado com o fado e com a “culpa é sempre dos outros” faz de nós uma sociedade atada, de atados. Esta mentalidade passiva admite a permanente progressão do estado sobre as nossas vidas, que não tarda em atingir cúmulos absurdos no campo social, económico e político se não lhe efectuarmos a devida oposição. Porque nos alheamos, não nos interessamos e claramente neles delegamos, acabamos governados por tecnocratas e burocratas que nos mandam e desmandam por via de uma legis, um conjunto de regras, obrigações e deveres que cada vez mais nos privam das nossas liberdades individuais e consequentemente da nossa capacidade de intervenção e de iniciativa. E assim vão ascendendo sobre as nossas vidas, porque é nesse domínio que encontram a sua razão de ser e a força do seu poder. Chegamos a um ponto em que a maioria da população portuguesa não sabe como (sobre)viver se o estado lhe falha. E é forte a probabilidade de falhar. E não sabe como intervir perante máquina tão monstruosa. É portanto grave que numa altura premente e particularmente grave da nossa existência enquanto nação, não se inicie uma discussão séria e aprofundada sobre modelos de governação alternativos. Uma profunda reflexão e refundação social se assim se quiser designar. Não se trata mais de discutir com que intensidade deve o estado estar presente mas sim e antes de mais se deve estar primeiramente presente. A bem de garantir a nossa liberdade futura, as nossas realizações pessoais, a nossa felicidade. Enquanto assim não for, teremos sempre mais do mesmo, seja à esquerda seja à direita. Com mais ou menos socialismo “progressista”, com mais ou menos social-democracia “moderna”, que no século XXI tanto se diluem e confundem. Iniciemos pois essa discussão sob pena de nos quedarmos, uma vez mais, pela espuma. Se não por nós, pelos nossos filhos.

fb/2011/04/27

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