Parkinson lives (and rules)

Reza a lei de Parkinson que o número total de empregados numa burocracia cresce a um ritmo anual mínimo de 5% independentemente do volume de trabalho (se o houver) a realizar.  De facto, a organização burocrata multiplica o número de pessoas necessárias ao seu funcionamento sem que isso torne necessário que tenham aumentado também a massa e a qualidade do trabalho realizado. É uma lei engraçada e que mostra todas as suas evidências em sistemas de governação socialistas. De qualquer forma, penso eu, 5% são 5%, talvez seja um ritmo de crescimento algo exagerado para um sistema político de governação moderno e modernizado, dito do sec. XXI. Já tinha por isso arrumado esta lei no cantinho mental das leis inaplicáveis em qualquer sociedade democrática ainda que, como a nossa, pouco evoluída*. Mas eis senão quando recebo uns e-mails do Sr X, que é Adjunto do Secretário de Estado Adjunto, depois de já ter recebido um outro e-mail de um outro Sr. Y que é também ele próprio um Adjunto desse mesmo Secretário de Estado Adjunto, e dou por mim a pensar quem será o Sr. Z, também ele indicado nos e-mails que recebi e que sei, com certeza, não ser o Secretário de Estado Adjunto.**

Acontece pois que o nosso sistema de governação, como é aliás por demais evidente, tem fortes traços de oligarquia, cujo instrumento expoente, como sabemos, é a burocracia pelo que, afinal…até porque, não é fácil manter esta tirania, a formulação de Parkinson ganha novo fôlego no nosso país.

Valha-nos que, a partir de hoje, o menino Pedro acabará com todo o clientelismo que se apoderou da nossa sociedade e dos nossos partidos políticos.

* – Só a partir daqui já poderemos construir várias teses de mestrado.

** – Não há qualquer cinismo contido nesta frase, os títulos que nela se referem são os exactos títulos com que os srs se anunciam.

fb/2011/Março/23